O Pecado abaixo da linha do Equador

Na verdade, está abaixo de tudo e, principalmente, abaixo do que jamais gostaríamos que fizessem conosco. O pecado não está em buscar a felicidade ou viabilizar uma nova e alegre vida, mas sim em não avisar ao outro que passou a precisar de uma vida nova. Está também em fazer tentativas com outro alguém, deixando o parceiro em stand by, caso se meta em alguma furada. O pecado está em deixar de amar e não comunicar. Em não libertar o outro enquanto sai em busca do que é bom para você.

O pecado está em minar cruelmente e lentamente a relação, o outro e tudo o que possibilitaria a continuidade da união, criando justificativas para atender a impulsos de leviandade que nascem exclusivamente de sua incapacidade com a autoconvivência e com a convivência reta e proposta com alguém a quem um dia elegeu como o seu grande amor.

– Ele agora é cheio de defeitos e conhece todos os meus, por isso, mereço e me permito alguém melhor. Vou tentando e se não achar, vou ficando por aqui. Enquanto isso, vou vivendo romances, sexo variado de boa ou má qualidade, sei lá. Enquanto isso, vou elencando motivos para o deixar e quando eu, verdadeiramente, por outro me encantar, que o outro vá pastar.

Este comportamento atende ao desespero e ao desequilíbrio de pessoas que não aprenderam a lutar, construir e desfazer e fazer tudo de novo se precisar. Acomodados, preguiçosos, mal orientados, superprotegidos, mimados, enfim. Atende à inércia em cuidar até mesmo da própria vida.
Pode acontecer e acontece muito do “pecador” ser exatamente quem mais deixa faltar na relação. Mal trabalhador muitas vezes é cobrado. E orgulhoso que é, vai tirar a prova em outros territórios. Uma topada aqui, uma facada ali, um tombo acolá e volta o inábil ser em busca do perdão daquele que ele tentou provar a todo custo, não ser a melhor pessoa para continuar uma relação.

Não existem melhores ou piores pessoas. Existem pessoas de todos os tipos. Quem é melhor para você? Vai ficar experimentando de tempos em tempos, de lugar em lugar? Por isso, um conselho que desprezamos na juventude vem muito a calhar quando nos desiludimos no amor: não vá se casando com qualquer um. Invista um tempinho em conhecer, o tempo vai mostrar. Melhor ver antes de tomar decisões mais sérias, como construir patrimônio ou gerar vidas. Melhor ver antes de sofrer demais.

Não está bom para você? Pode estar pior para o outro. Honestidade costuma abreviar sofrimentos. Tente uma conversa sincera, combata a covardia. Ame ao seu próximo como a si mesmo. Pode ser que você mereça a felicidade que tanto procura por aí.

Este artigo também foi publicado no portal ACESSA.COM

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